Manter o foco no trabalho nunca foi simples. No entanto, o cenário que se desenha para 2026 torna esse desafio ainda mais evidente.
Com Copa do Mundo, eleições, feriados prolongados e um ambiente digital cada vez mais ruidoso, empresas e lideranças enfrentarão um contexto em que a atenção se torna um recurso escasso.
Diante disso, insistir na ideia de que a falta de foco é um problema individual não apenas é injusto, como também ineficaz. Na prática, a ciência mostra que o ambiente, as escolhas organizacionais e as prioridades da liderança moldam o nível de foco no trabalho.
Por isso, entender o que muda em 2026 é essencial para quem lidera pessoas.
Por que o foco no trabalho está mais difícil?
Antes de tudo, é importante entender que a dificuldade de concentração não surge do nada. Pelo contrário, ela é consequência direta de um contexto marcado por:
- excesso de estímulos digitais
- múltiplas demandas simultâneas
- agendas fragmentadas
- sensação constante de urgência
Além disso, em 2026, esse cenário tende a se intensificar. Fatores externos, como grandes eventos esportivos, contextos políticos e mudanças econômicas frequentes, passam a disputar atenção com o trabalho diariamente.
Como resultado, cria-se um ambiente em que as pessoas têm dificuldade de sustentar atenção profunda, mesmo quando estão motivadas e comprometidas.
O mito da falta de foco individual
Durante muito tempo, a perda de foco foi atribuída a características pessoais, como falta de disciplina ou desinteresse. No entanto, estudos em psicologia cognitiva indicam que essa leitura está equivocada.
A atenção como recurso limitado.
Segundo Daniel Goleman, autor do livro Focus, a atenção humana é limitada. Ou seja, o cérebro precisa selecionar estímulos o tempo todo. Quando o ambiente é confuso, grande parte da energia mental é gasta apenas para filtrar interrupções.
Em outras palavras, ambientes desorganizados produzem dispersão, independentemente do perfil do profissional.
Assim, perder o foco não é sinal de fraqueza individual, mas sim uma resposta natural a um sistema mal desenhado.
Por que o ambiente influencia mais do que o esforço
Quando o ambiente de trabalho apresenta muitas prioridades concorrentes, o cérebro entra em um estado de sobrecarga cognitiva. Nesse cenário, alternar entre tarefas se torna constante, e prejudicial.
O conceito de “attention residue”.
A pesquisadora Sophie Leroy identificou esse fenômeno como attention residue. Segundo seus estudos, parte da atenção permanece presa à tarefa anterior, mesmo após a mudança de foco. Como consequência, surgem queda de desempenho, aumento de erros e cansaço mental.
Portanto, o foco não desaparece completamente, ele se fragmenta.
Por esse motivo, cobrar mais esforço raramente resolve. Sem mudanças no contexto, a dispersão tende a aumentar.
Liderança em 2026: menos cobrança, mais organização
Diante desse cenário, o papel da liderança muda de forma significativa. Em vez de competir pela atenção do time, líderes eficazes passam a atuar como organizadores do ambiente de trabalho.
Na prática, isso significa:
- definir prioridades claras
- reduzir interrupções desnecessárias
- alinhar expectativas
- criar clareza sobre o que realmente importa
Além disso, autores como Cal Newport reforçam que foco não nasce da adição de ferramentas ou processos. Ao contrário, ele surge da capacidade de escolher o que não deve ser feito agora.
Quando tudo é tratado como urgente, nada recebe atenção de qualidade. Por isso, organizar o ambiente se torna uma responsabilidade central da liderança.
O verdadeiro inimigo do foco em 2026
Ao contrário do que muitos imaginam, o maior inimigo do foco em 2026 não será a tecnologia ou o trabalho remoto. Na verdade, o maior risco está na falta de prioridades claras.
Quando tudo vira prioridade ao mesmo tempo:
- decisões se acumulam
- a energia mental se dispersa
- o trabalho perde profundidade
Como consequência, surgem fadiga decisória, queda de qualidade e sensação permanente de urgência.
Assim, foco sustentável não se constrói adicionando demandas.
Ele se constrói removendo excesso.
Como construir ambientes de trabalho mais focados
Diante disso, vale observar que ambientes que favorecem o foco costumam ter alguns elementos em comum:
- prioridades bem definidas
- menos ruído informacional
- comunicação clara e objetiva
- respeito ao tempo e à energia das pessoas
- lideranças que organizam antes de cobrar
Quando esses elementos estão presentes, o foco deixa de ser exceção. Naturalmente, ele passa a ser consequência do sistema.
Liderar com foco é decidir melhor
Em um ano como 2026, liderar bem será menos sobre exigir atenção constante e mais sobre tomar decisões conscientes. Decidir o que pode esperar, o que é realmente estratégico e o que precisa ser protegido para que o trabalho de qualidade aconteça.
No fim, foco é resultado:
- de escolhas bem feitas
- de ambientes bem desenhados
- de lideranças que entendem que clareza gera desempenho
Mais do que produtividade, essa é uma discussão sobre sustentabilidade do trabalho, saúde mental e resultados consistentes.
Por que esse tema é estratégico para RH e lideranças
Por fim, é importante reforçar que o desafio do foco não será resolvido com discursos motivacionais ou soluções pontuais. Ele exige leitura de cenário, método e organização, especialmente em um ano complexo como 2026.
Empresas que conseguirem estruturar ambientes mais focados terão uma vantagem competitiva real.
Ou seja: mais qualidade, menos desgaste e melhores resultados.
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FAQ — Perguntas frequentes sobre foco no trabalho
Por que está tão difícil manter o foco no trabalho?
Porque o ambiente atual gera excesso de estímulos e múltiplas prioridades simultâneas, o que sobrecarrega o cérebro.
Falta de foco é problema individual?
Não. A ciência mostra que o foco depende muito mais do contexto do que de esforço pessoal.
Como os líderes podem ajudar a melhorar o foco das equipes?
Organizando prioridades, reduzindo ruídos e criando clareza sobre o que realmente importa.
Qual será o maior desafio para o foco em 2026?
A falta de prioridades claras em um cenário de múltiplas demandas e estímulos externos.